A liberdade de errar e o que isso significa

Vamos falar sobre a importância das tentativas e da coragem de ser imperfeito?

Em 2019 participei do Encontro Nacional de Empresas Júnior (ENEJ), um evento incrível que reúne universitários de todo o Brasil e empresas em busca de novos talentos, como a AMBEV, a GLOBO e a Max Milhas.

Foram várias palestras inspiradoras, mas o palestrante da Max Milhas disse uma coisa que chamou minha atenção na época e faz cada vez mais sentido – contando a trajetória da empresa, ele finalizou a apresentação incentivando os jovens a “errar pequeno”.

E não do tipo “cuidado com o que você faz para não errar grande”, mas do tipo “vai, experimenta, faz acontecer, aproveita para aprender com seus erros enquanto você não é tão experiente e as consequências não são tão sérias”. Achei aquilo muito bonito na teoria e muito desconfortável na prática, mas tem sido um constrangimento interno que diminui a cada nova tentativa.

Por exemplo, em outubro de 2021 voltei a morar sozinha. Passei as primeiras semanas comendo fora, mas percebi que esse hábito ia ficar muito mais caro do que se eu simplesmente cozinhasse alguma coisa, então fui ao mercado.

Estava frio, eu não tinha nada em casa e vi um pacote de legumes congelados escrito “SOPA PRONTA TEMPERADA” – pensei “bingo! Eu coloco isso na panela, coloco água e pronto” e deu muito, muito errado. Os legumes ficaram borrachudos, a água ficou sem gosto e nem sal eu tinha para ajudar.

Para piorar meu sentimento de fracasso, a cozinha onde eu moro é compartilhada com todos os moradores do prédio. Minha tentativa de sopa demorou mais de duas horas e cada pessoa que entrava e saía com a comida pronta era uma voz na minha cabeça dizendo “não tenho a menor ideia do que eu to fazendo, está todo mundo pensando que não sirvo para cozinha… inclusive eu”.

Na compra seguinte errei de novo e acabei comendo um frango por três semanas. Ficou uma delícia, mas no último dia e sem a noção de que eu poderia ter simplesmente congelado algumas porções, decidi tentar fazer um molho para variar. Coloquei o frango e uma massa de tomate na panela, exagerei na água sem querer e…? Fiz uma excelente sopa.

Continuei praticando até que, um tempo depois, recebi um primo em casa. Graças ao pouco de prática que tive (e a todos os erros), consegui fazer um almoço gostosinho para nós dois, e de tanto me verem na cozinha, meus vizinhos começaram a me chamar de Master Chef.

Outro exemplo: quando tirei a carteira de motorista, reclamei para uma amiga minha dificuldade para fazer balizas na rua. Ela olhou nos meus olhos e disse “eu achava difícil fazer baliza na rua, aí passei um domingo inteiro praticando e hoje eu estaciono onde eu quero”.

Empoderada, né? Não fiz o que ela sugeriu, mas entendi o que quis dizer. Hoje mesmo, tentando estacionar no centro da cidade e depois de perder duas oportunidades, vi uma mulher pronta para tirar o carro de exatamente onde eu precisava estar.

Tentei esperar no espaço da garagem em frente ao carro dela, acabei ficando com metade do meu carro na rua e atrapalhei o trânsito, mas quando ela saiu, dei ré com mil manobras até ocupar a vaga direitinho, saí me achando o máximo e ainda fiz uma selfie.

Foi uma baliza horrível e, no fundo, eu achava que os motoristas estavam rindo da minha falta de habilidade. Mas eu tentei, cumpri meu objetivo e fiquei mais experiente para a próxima vez.

Isso se reflete em assuntos mais sérios, como quando a gente teve a oportunidade de transformar o SONORA Festival Bauru em um show online, sem um centavo no bolso nem garantia de que iria dar certo. A gente errou bastante na primeira edição, mas na segunda já conseguimos acertar alguns erros, melhorar mais um pouquinho e fazer um festival ainda imperfeito, mas de muito sucesso.

Em algum momento da vida, tive a informação de que um empresário quebra, em média, 2,5 empresas antes de abrir um negócio próspero. Por que, então, em vez de ter medo de tentar, a gente não conta nos dedos projetos que não deram certo, acreditando que o próximo tem mais chances de atingir melhores resultados?

Meu paizinho, que está aqui acompanhando a escrita, foi além e sabiamente disse: Se você não aceita as suas imperfeições, você não consegue aceitar as dos outros.

Fica a reflexão e um incentivo aos pequenos erros para hoje,

Vitória.

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