Tenho grande admiração por um compositor e colega de faculdade chamado R. (que gostou do artigo e autorizou a divulgação do perfil dele, clique aqui para acessar)
Um dia, conversando nos corredores da Souza Lima, ele me disse que tinha recusado um convite de fazer um show sobre seu novo EP, pois gostaria de pensar melhor nos detalhes antes de apresentar seu trabalho, ao vivo, para o público.
Embora eu entenda o zelo pelo trabalho autoral, como público fiquei bem decepcionada. Meu colega não deu uma previsão de quando esse show aconteceria, nem o que faltava para finalizar esses detalhes.
Como compositores, podemos esquecer que o artista tira suas criações de dentro pra fora e é capaz de desfrutar de seu trabalho a qualquer momento, mas o público não.
Eu, como público, só vou ouvir as músicas do R. se elas estiverem disponíveis nos aplicativos de música (e ele me lembrar disso) ou se ele fizer um show, virtual ou ao vivo.
Tudo bem querer que sua apresentação tenha qualidade, mas será que você está adiando por medo? Se você não tiver um plano, com números e prazos, será que esse show vai acontecer? (Sugiro a leitura do livro “O caminho do artista”, de Julia Cameron)
Se você não fizer um show hoje, com o que você tem e planejou hoje, será que vai chegar ao show detalhado que você gostaria de fazer?
E por que não fazer os dois? Por que não oferecer mais oportunidades para o público te ouvir, usar a experiência de apresentações menores para construir (e até financiar) uma apresentação completa, que encerre seu trabalho com chave de ouro e te prepare para as próximas gravações?
Aí eu não posso obrigar o R. a fazer o show dele (que eu continuo esperando), mas eu posso refletir: o quanto eu tenho escondido as minhas músicas?
E você, o que acha sobre isso? Me conta por mensagem no meu Instagram.
Vitória.
