A capacidade de fazer coisas difíceis

Você é forte. Se ninguém te disse antes, você pode ter medo de falhar e conseguir fazer algo ao mesmo tempo.

Vamos começar assim: Que ninguém ama ir à dentista é fato. Eu me incluo nesse grupo mesmo sendo grata por poder cuidar dos meus dentes, mas recentemente fui a uma consulta e vivi uma experiência transformadora.

Talvez você não saiba, mas eu tenho reações diversas em situações que envolvem agulhas e perfurações da pele – às vezes eu desmaio, como aconteceu na minha primeira dose para virar jacaré, às vezes eu choro discretamente e às vezes eu tenho episódios de pânico. Dessa vez que fui à dentista tive um episódio de pânico, comecei a tremer na cadeira, a suar frio e chorei de soluçar.

A dentista tinha experiência pessoal com a reação e me acalentou dizendo coisas como “calma, eu vou cuidar de você e vai dar tudo certo”. Eu não sei dizer por que isso funcionou, mas a crise foi diminuindo enquanto o procedimento acontecia e, no dia seguinte, consegui passar por outras três anestesias sem problemas.

Quando saí do consultório no último dia de tratamento, encontrei a próxima paciente – uma menina de seis anos em prantos, que estava sendo ameaçada de ser segurada na cadeira à força. Eu quis abraçar aquela menina e dizer que, mesmo com medo e sob ameaças horríveis, ela era capaz de fazer coisas difíceis.

Outro momento em que me deparei com esse sentimento foi no âmbito financeiro da produção do SONORA Festival Bauru (clique aqui para conhecer), na segunda edição online. Por que na segunda, e não na primeira? Simples: porque na primeira eu não consegui superar meu medo de falhar, mas na segunda sim.

Na primeira edição, as demais voluntárias realizaram todas as atividades que financiariam o evento – buscaram patrocinadores, venderam produtos, criaram campanhas de financiamento coletivo… por algum motivo, fazer aquilo era muito difícil para mim.

Só no ano seguinte, depois da primeira edição realizada e graças ao trabalho em equipe, onde a força de uma inspira a outra, comecei a entrar em contato com perfis de parceiros em potencial, colecionando nãos em busca do “sim”, e consegui lidar com a ansiedade que eu sentia nesse momento.

E veja, eu disse lidar. Não superar ou eliminar, mas lidar. Aquele desconforto ainda estava ali, a sensação de estar fazendo alguma coisa errado, de a resposta negativa ser inevitável, a vontade de procrastinar ou de sair correndo ainda existiam, mas eu observava o trabalho das voluntárias, respirava fundo e enviava as mensagens que precisava enviar.

Quer outro exemplo de dificuldade? Vestibulares. Quantos alunos não perdem as provas, adoecem, se desesperam acreditando que não vão ter um bom resultado? Quantos excelentes profissionais não deixaram de se formar por não acreditarem que sim, a concorrência seria enorme e a prova muito cansativa, mas eles seriam capazes de fazer coisas difíceis?

Se a gente pudesse escolher, talvez retirasse as dificuldades do caminho. Claro que a eu ia preferir nunca mais precisar fazer uma prova, ter todos os recursos para realizar um evento disponíveis ou que meus dentes simplesmente não precisassem de manutenção, mas isso me levaria à total dependência de circunstâncias sempre favoráveis.

Digo sempre para o meu irmão que a coragem não está em não ter medo, mas em agir mesmo sentindo medo, caso contrário seríamos todos inconsequentes, e não corajosos. Sentir medo e fracassar não fazem de você uma pessoa incapaz, mas a vontade de conseguir e a persistência te tornam uma pessoa forte.

Escolha persistir,

Vitória.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *