A liberdade de errar e o que isso significa

Vamos falar sobre a importância das tentativas e da coragem de ser imperfeito?

Em 2019 participei do Encontro Nacional de Empresas Júnior (ENEJ), um evento incrível que reúne universitários de todo o Brasil e empresas em busca de novos talentos, como a AMBEV, a GLOBO e a Max Milhas.

Foram várias palestras inspiradoras, mas o palestrante da Max Milhas disse uma coisa que chamou minha atenção na época e faz cada vez mais sentido – contando a trajetória da empresa, ele finalizou a apresentação incentivando os jovens a “errar pequeno”.

E não do tipo “cuidado com o que você faz para não errar grande”, mas do tipo “vai, experimenta, faz acontecer, aproveita para aprender com seus erros enquanto você não é tão experiente e as consequências não são tão sérias”. Achei aquilo muito bonito na teoria e muito desconfortável na prática, mas tem sido um constrangimento interno que diminui a cada nova tentativa.

Por exemplo, em outubro de 2021 voltei a morar sozinha. Passei as primeiras semanas comendo fora, mas percebi que esse hábito ia ficar muito mais caro do que se eu simplesmente cozinhasse alguma coisa, então fui ao mercado.

Estava frio, eu não tinha nada em casa e vi um pacote de legumes congelados escrito “SOPA PRONTA TEMPERADA” – pensei “bingo! Eu coloco isso na panela, coloco água e pronto” e deu muito, muito errado. Os legumes ficaram borrachudos, a água ficou sem gosto e nem sal eu tinha para ajudar.

Para piorar meu sentimento de fracasso, a cozinha onde eu moro é compartilhada com todos os moradores do prédio. Minha tentativa de sopa demorou mais de duas horas e cada pessoa que entrava e saía com a comida pronta era uma voz na minha cabeça dizendo “não tenho a menor ideia do que eu to fazendo, está todo mundo pensando que não sirvo para cozinha… inclusive eu”.

Na compra seguinte errei de novo e acabei comendo um frango por três semanas. Ficou uma delícia, mas no último dia e sem a noção de que eu poderia ter simplesmente congelado algumas porções, decidi tentar fazer um molho para variar. Coloquei o frango e uma massa de tomate na panela, exagerei na água sem querer e…? Fiz uma excelente sopa.

Continuei praticando até que, um tempo depois, recebi um primo em casa. Graças ao pouco de prática que tive (e a todos os erros), consegui fazer um almoço gostosinho para nós dois, e de tanto me verem na cozinha, meus vizinhos começaram a me chamar de Master Chef.

Outro exemplo: quando tirei a carteira de motorista, reclamei para uma amiga minha dificuldade para fazer balizas na rua. Ela olhou nos meus olhos e disse “eu achava difícil fazer baliza na rua, aí passei um domingo inteiro praticando e hoje eu estaciono onde eu quero”.

Empoderada, né? Não fiz o que ela sugeriu, mas entendi o que quis dizer. Hoje mesmo, tentando estacionar no centro da cidade e depois de perder duas oportunidades, vi uma mulher pronta para tirar o carro de exatamente onde eu precisava estar.

Tentei esperar no espaço da garagem em frente ao carro dela, acabei ficando com metade do meu carro na rua e atrapalhei o trânsito, mas quando ela saiu, dei ré com mil manobras até ocupar a vaga direitinho, saí me achando o máximo e ainda fiz uma selfie.

Foi uma baliza horrível e, no fundo, eu achava que os motoristas estavam rindo da minha falta de habilidade. Mas eu tentei, cumpri meu objetivo e fiquei mais experiente para a próxima vez.

Isso se reflete em assuntos mais sérios, como quando a gente teve a oportunidade de transformar o SONORA Festival Bauru em um show online, sem um centavo no bolso nem garantia de que iria dar certo. A gente errou bastante na primeira edição, mas na segunda já conseguimos acertar alguns erros, melhorar mais um pouquinho e fazer um festival ainda imperfeito, mas de muito sucesso.

Em algum momento da vida, tive a informação de que um empresário quebra, em média, 2,5 empresas antes de abrir um negócio próspero. Por que, então, em vez de ter medo de tentar, a gente não conta nos dedos projetos que não deram certo, acreditando que o próximo tem mais chances de atingir melhores resultados?

Meu paizinho, que está aqui acompanhando a escrita, foi além e sabiamente disse: Se você não aceita as suas imperfeições, você não consegue aceitar as dos outros.

Fica a reflexão e um incentivo aos pequenos erros para hoje,

Vitória.

ASA 102: Profissões No Áudio com Leslie Gaston

A aula do dia trouxe uma visão geral de profissões especificamente na indústria do som, abrangendo Cinema e TV, Rádio/Podcasts, VR/AR e outros, diferentes setores, funções semelhantes e erros comuns. Leslie Gaston-Bird, proprietária do Mix Messiah Productions e autora do livro (Audio Engineering Society Presents) Women in Audio, mostrou diferentes ocupações e as diferentes habilidades/disciplinas exigidas por cada uma delas, destacando oportunidades para profissionais de som em áreas ou mercados emergentes.

Compartilho aqui minhas notas após assistir à aula no programa ASA (clique aqui para conhecer), para que a rede de pessoas impactadas por essa iniciativa tão bonita cresça cada vez mais.

Leslie, natural do estado de Ohio/EUA, dividiu um pouco de sua história e como diferentes habilidades no áudio foram se formando ao longo dos seus 30 anos de carreira: Leslie atuou da edição manual de fitas de áudio ao tratamento digital de áudio em filmes, trabalhou em rádios e na Universidade de Denver, foi eleita vice-presidente na região oeste da Audio Engeneering Society Board of Governors (Sociedade de Engenharia de Som) e hoje faz parte da Recording Academy (ou seja, é uma das profissionais que vota nas indicações do Grammy®).

Pudemos ouvir uma reportagem gravada em um avião, onde Leslie teve que aprimorar a captação de áudio com cabos encontrados na aeronave para que o barulho do voo não impedisse a inteligibilidade das falas do repórter, ela também contou os desafios de se adaptar em um mercado em constante evolução, como ela produziu várias pesquisas e levou alunos para estudar o som na cúpula de um planetário, produzindo uma experiência fantástica para quem estaria observando o céu.

Profissões

A primeira profissão apresentada foi Music Producer (Produtor Musical), que é diferente do Produtor Fonográfico que vimos na primeira aula do programa (clique aqui para ler): o music producer tem um papel colaborativo na equipe, é quem dirige a produção de um fonograma, como um chefe de cozinha ou um diretor de cinema. Leslie cita produtoras musicais que ela chama de “Triple Threat“: mulheres que tocam, gravam e produzem (são artistas, produtoras e engenheiras de som, como alguém que escreve, atua e produz um filme).

  • Linda Perry: tocou piano, fez a engenheira e a produção de “Can’t Let Go” (Adele);
  • Kim Deal: artista solo, dona de um estúdio onde está produzindo uma série de vinis 7 polegadas;
  • Joan Armatrading: artista de grande sucesso nos anos 80, proprietária do Bumpkin Studio, produtora e engenheira de som;
  • Sudan Archives: violinista, engenheira e produtora do próprio trabalho, por exemplo o álbum Athena;

Skills to pay the bills

A segunda profissão apresentada foi Sound Engineer (Engenheira de Som), para a qual Leslie ressalta a importância de se desenvolver a escuta crítica, que pode ser treinada com a prática (e com o programa sound gym) e é muito útil para reconhecer frequências, velocidades de ataque, taxas de compressão etc. (parâmetros específicos da edição sonora), recomendando o livro Audio Production and Critical Listening, de Jason Corey.

Os conselhos foram: “know signal flow” (você precisa entender o caminho do sinal analógico); e entenda técnicas de microfonação, Leslie apresentou vários mapas e sugeriu o estudo deles para gravação de instrumentos, como eles interagem com o ambiente e diferentes técnicas para diferentes resultados;

Para profissões que envolvem a Mix (mixagem), Leslie indicou cursos em WomensAudioMission.org, em universidades brasileiras (ela encontrou três em São Paulo) e no LinkedIn (que tem aulas de mix online). Também comentou que a experiência na prática tem muito valor nessa área e sugeriu que as interessadas se propusessem a remixar seus filmes favoritos por diversão.

Leslie mostrou também a foto de um estúdio com azulejos acústicos na parede, citando Samantha, arquiteta apaixonada por design e acústica que se especializou e fez disso o seu trabalho, e mencionou a existência de mais de 70 organizações no mundo que apoiam mulheres no áudio, lista realizada por Liz Dobson.

A última habilidade ressaltada foi “aprender novas tecnologias”: quem tem essa habilidade pode gostar de áreas como som para games, áudio binaural, realidade virtual (VR) e aumentada (AR), som imersivo, controle e manipulação do som por luvas vestidas pelo usuário, como a Mimu Gloves, a exemplo da apresentação da compositora Imogen Heap para o Grammy de 2020, em Los Angeles.

Profissões no Áudio – Cinema e TV

Production Sound Mixer ou Location Sound Recordist: A pedido de Leslie, Karol Urban, mixadora e presidente da Cinema Audio Society, escreveu quais habilidades ela acreditava ser importantes para seu trabalho, mencionando a importância da faculdade para instruções valiosas, novas informações, contatos e colaborações, mas ressaltando a contribuição do job learning (aprendizado adquirido durante a execução profissional) para o desenvolvimento de habilidades específicas de cada trabalho.

A2: ilustrada por Jan McLaughlin operando um microfone boom em algumas séries para a HBO, o papel dessa profissional é microfonar atores, sincronizar e mixar o áudio nas câmeras, cuidar dos metadados para enviar um arquivo organizado para a equipe de pós-produção (Nota Pessoal: essa função específica também é conhecida no audiovisual como logger). Cuidar da qualidade do áudio, da invisibilidade dos aparelhos nas câmeras e trabalhar bem em equipe, sob pressão, também são responsabilidades da A2.

Tem mais: essa profissional precisa conhecer sobre frequências de rádio, muito utilizadas também por telefones e comunicadores policiais, porque elas interferem em equipamentos sem fio (microfones, por exemplo); deve saber sobre cabos de todos os tipos e como manuseá-los no set de filmagem para não atrapalhar a movimentação de pessoas e equipamentos; ter coragem para falar, porque geralmente é preciso interferir na gravação sem dizer “cut“, o trabalho do diretor, quando você identifica que algum problema no áudio vai comprometer toda a cena.

Falando em cena, a A2 deve ter consciência espacial de onde as pessoas estão e como se movimentam durante a cena, porque podem ser posicionados bem perto dos atores.

Profissões na pós-produção

Supervisora de Som: assim como Ai Ling Lee, uma das mixadoras de First Man e a primeira mulher em uma equipe vencedora de um Oscar (com sua colega Mildred), a supervisora de som entende o mood do filme desejado pelo diretor e garante que isso se refletirá no áudio. Ela deve saber como toda a cadeia de áudio funciona, conhecer todas as funções e o que é possível pedir a cada um.

Artista de Foley: representada em aula por Kelly, é quem produz os sons de cena que não são gravados durante a atuação, ou que não soaram da melhor forma, e passa horas experimentando o que poderia gerar o som ideal. Assistimos a um vídeo de Leslie operando uma mesa de som enquanto diria Kelly, que gerava sons de foley na sala ao lado. Elas se comunicam, trabalham juntas som a som até que o áudio esteja adequado e sincronizado à cena, um trabalho de curiosidade e meticulosidade.

Sound Design e editora de foley: ilustrado pela primeira mulher engenheira de áudio na Índia, Sajida Khan, a sound designer faz e trata sons que você não pode criar a partir de foleys, como grandes explosões. Deve ter um arquivo, uma biblioteca de sons e administrar isso, assim como suas fontes. Se o filme tem uma BMW, por exemplo, e você não usa o alarme da BMW no áudio, o público que dirige BMWs vai estranhar seu filme. E se forem sons que não existem no mundo real, a editora de efeitos sonoros é responsável por criá-los, como o som de um enxame de microdrones futuristas é feito a partir de escovas de dente elétricas.

Editora de Diálogos: retira ruídos sem tirar a qualidade das falas. Quando isso não puder ter um bom resultado, como quando há interferência estática ou palavras precisam ser trocadas, entra em cena a Editora ADR (automated dialogue replacement), que regrava as falas com os atores no mesmo estúdio e com os mesmos equipamentos da cena original, para que o novo áudio seja o mais parecido possível com a gravação original.

Supervisora de Música: bibliotecária com um arquivo enorme de cds, vinis, comerciais, trilhas etc. que deve administrar e vincular esses arquivos a gêneros e explicações do que o diretor espera de um produto final. A Compositora, ilustrada por Jey em uma sala cheia de teclados e partituras, escreve a música de acordo com o mood pedido pelo diretor, considerando texturas, ritmo, tensão do filme, para criar late motivs, temas, equilibrar frequências, efeitos sonoros, frases e instrumentos de acordo com cada cena.

Mixadora ou Editora de Música: Katherine Woods, em seu estúdio, trabalha cada camada e agrupa sons para a re-recording mixer construir a versão final da trilha. A Re-recording Mixer, representada por Leslie, une e avalia o trabalho de todos ou profissionais anteriores e garante que o produto seja entregue conforme as necessidades apresentadas pelo diretor inicialmente. Ela garante que a apresentação seja agradável ao diretor, como um chefe de cozinha aprova a montagem final de um prato. Também cuida para que os diálogos para cada país sejam fieis ao original, tenham a mesma intensidade.

Profissões no Áudio – Rádio e Podcasts

Broadcast Engineer: representada por Ann Charles e um mapa com todos os aparelhos e obstáculos para garantir a qualidade de som, desde a captação no estúdio até a entrada na casa do recipiente. O som deve soar melhor que as estações concorrentes, pois os ouvintes costumam sintonizar a estação com a melhor qualidade de transmissão. A diferença é que, enquanto uma engenheira de som se especializa em manusear a mesa de controle de som, microfonar e mixar o som de uma orquestra, a broadcast cuida da corrente de transmissão ao vivo.

Board operator: Leslie mostra uma estudante operando uma mesa de áudio durante jogos estudantis, alternando a transmissão da rádio entre a narração dos jogos ao vivo, efeitos sonoros e chamadas pré-gravadas.

Produtora em rádios: busca e entrevista convidados, faz edições na pré-produção, tem habilidades jornalísticas e é multitarefa (como a Super Bella fez no nosso programa Profissão Compositor)

Editora em Radiodramas e Podcasts: faz edição e mix para radionovelas e podcasts. Leslie mostra uma radionovela com a qual ela trabalhou e ressalta a diferença por não precisar se preocupar em sincronizar o áudio com imagens… porque não tem imagens!

Som Imersivo

Finalizando sua aula, Leslie abordou o tema Immersive Audio (Som Imersivo), seu foco de trabalho nos últimos anos, definindo como “sound all arround“, som vindo de todas as direções, distribuído em um ambiente com caixas de som em cima, em baixo e por todos os lados para recriar uma experiência como a que acontece na natureza. Ela também mencionou trilhas para jogos de realidade virtual e aumentada, e músicas de realidade virtual e aumentada, mostrou formas de distribuir ou movimentar o som dos seus instrumentos digitalmente para orientar os movimentos do público, utilizando diferentes saídas de som.

Destaque para um microfone com 17 a 19 cápsulas ao redor, como um globo, para você colocar no centro da sala enquanto toca seus instrumentos, e ele é capaz de gerar uma gravação imersiva. Sabiam que existe uma categoria no Grammy for surround audio (Beyoncé).

Leslie finaliza sua apresentação mostrando que há menos de 10% de mulheres nesse mercado, apresentando o projeto em que trabalha agora, uma pesquisa de mentoria para áudio imersivo. Seu desejo é criar um espaço seguro, predominantemente feminino (exatamente para aumentar o percentual de mulheres na indústria do áudio imersivo), acessível e que cubra o maior número de frentes possível sobre áudio (do binaural ao 22.2). Ela oferece uma experiência bastante prática para quem tiver interesse em participar, como PHD na Surrey University (Doutoranda na Universidade de Surrey). Se colocou à disposição para participar de lives e workshops no Brasil, e está acessível pelo email l.gaston-bird@surrey.ac.uk

LINKS PARA REFERÊNCIA E ESTUDOS:
Projeto liderado por Leslie na Universidade de Surrey (clique para abrir)
Livro: Women in Audio (Audio Engineering Society Presents), Leslie Gaston-Bird (Amazon)
Livro: Audio Production and Critical Listening, Jason Corey (Amazon)
Curso: WomensAudioMission.org

Leslie (AMPS, MPSE) é uma engenheira de áudio britânica com certificado Dante Nível 3, especializada em mixagem de regravação 5.1 (dublagem) e edição de som. Ela foi dirigente da Audio Engineering Society e é autora do livro Women in Audio. Leslie é membro da Recording Academy (The Grammys®), membro e conselheiro da Association of Motion Picture Sound (AMPS) e membro da Motion Picture Sound Editors (MPSE). Trabalhou para a National Public Radio (Washington, D.C.), a Colorado Public Radio, a Colorado Symphony Orchestra, a Post Modern Company e foi professora associada titular na Universidade do Colorado em Denver.

ASA 101: Visão Geral do Setor com Cris Falcão

Para saber aonde vamos, precisamos saber quem somos e quais caminhos podemos percorrer. Assim como um estudante que deseja se tornar médico sabe que deve passar pelo vestibular, pela faculdade e por especializações, quem deseja participar da indústria da música pode começar conhecendo sua linguagem, dinâmica e caminhos possíveis.

Você quer investir em música e se sente perdido? Cris Falcão, Managing Director (diretora administrativa) da Ingrooves Brazil, deu uma aula completa de noções primárias sobre indústria da música: quem faz o quê e o que você deve fazer. Abaixo, compartilho minhas notas após assistir à aula no programa ASA (clique aqui para conhecer).

A pauta foi cadeia da música e seus profissionais – uma lição sobre as diversas profissões que compõem a engrenagem da indústria da música, e a Cris não economizou no conteúdo:
1. Indústria fonográfica
2. Streaming e distribuição de música digital
3. Indústria da música ao vivo e de turnês
4. Licenciamento e Sincronização
5. Gerenciamento de artistas
6. Indústria de Publicação Musical
7. Rádio
8. Jurídico
9. Marketing e relações públicas

Obra x Fonograma

Uma música existe a partir de uma criação com ou sem letra, chamada de composição musical/literomusical (quando há letra) ou obra. Ela envolve compositores (também chamados de autores), editoras de obras musicais (parceiras opcionais para autores) e sociedades de gestão coletiva (parceiras obrigatórias para, entre outras funções, identificar e remunerar editoras ou autores não editados). A obra pode ser explorada de várias formas e gera o direito AUTORAL.

  • A editora, por exemplo, auxilia o registro correto da obra, explora os direitos patrimoniais e os mercados possíveis para ela, ou seja, é responsável por administrar e maximizar o uso da obra, desde facilitar a gravação por terceiros até a utilização da obra em sincronizações, em produtos gráficos como livros, áudio-livros, partituras etc., tudo mediante a aprovação dos autores de cada obra. Ela ainda acompanha as rendas geradas e remunera os autores.
  • As sociedades de gestão coletiva, por sua vez, regularizam e cuidam das arrecadações do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), que são feitas sobre os direitos por execução pública em um modelo admirado internacionalmente.

A Lei de Direito Autoral no Brasil é protetiva ao compositor, ou seja, ele sempre deve autorizar qualquer uso ou gravação de sua obra, e esse direito moral e patrimonial é protegido até 70 anos depois da sua morte. Toda vez que um artista entra em estúdio para gravar uma obra, ele já deve ter obtido a autorização dos autores. O responsável por autorizar ou receber os direitos durante esses 70 anos são os herdeiros e a editora, caso ela tenha sido autorizada no contrato estabelecido com o autor antes de sua morte.

Mas a obra não é o que escutamos nos apps de música (streaming). Uma música quando entra em uma produção musical e se torna um suporte que pode ser ouvido (físico ou digital) é chamada de fonograma. O fonograma envolve obra (e aqueles a quem ela envolve), intérpretes e músicos acompanhantes que participam da sua gravação e produtores fonográficos (intérprete, selo ou gravadora responsável financeiramente pela produção do fonograma). Quando o selo ou a gravadora estão presentes, elas também são responsáveis por explorar o fonograma de várias formas, gerando o direito CONEXO.

  • Os selos geralmente são independentes, trabalham a carreira dos artistas e recorrem a agregadoras para distribuir os fonogramas no ambiente digital. As Agregadoras/Distribuidoras/Integradoras, por sua vez, têm o papel de apenas colocar o fonograma nas plataformas de streaming e vídeo (é um processo bastante independente que pode ser acessado por artistas sem o intermédio dos selos).
  • As gravadoras, chamadas de majors, são multinacionais (Warner, Sony, Universal), exploram os fonogramas internacionalmente, também investem em gestão de carreira artística, em marketing e geralmente têm sua própria distribuidora.

Toda vez que um fonograma é tocado em rádio, streaming ou produto audiovisual, por exemplo, ele gera direitos para a obra (AUTORAIS) e para si (CONEXOS). Nesse caso, a obra recebe através dos titulares autor/editora/sociedades de gestão coletiva e o fonograma recebe através dos titulares produtores fonográficos/intérpretes e músicos acompanhantes/selo ou gravadora. A editora, nesse caso, deve ser filiada à UBEM ou ABRAMUS digital para que o autor receba os direitos gerados pela reprodução pública do fonograma ou em streaming.

Do que você precisa?

Como escolher entre assinar com um parceiro ou não? Depende do seu momento de carreira e dos seus objetivos.

  • O artista Do It Yourself (DIY) que faz a própria gestão de carreira, pode buscar apenas uma agregadora no modelo de revenue share (que tem um prazo mais longo de contrato) ou de autoatendimento (que tem uma taxa de uso variável mas maiores direitos sobre o fonograma).
  • O artista que deseja explorar sua obra em 360˚ deve procurar uma gravadora ou selo independente para ser seu parceiro de negócios e distribuir as funções administrativas, de marketing, assessoria de imprensa, investimento em rádios e direitos sobre os fonogramas. Nesse caso, ele teria mais suporte.

As agregadoras, responsáveis por colocar o fonograma nas plataformas digitais de áudio, podem estar dentro das gravadoras majors, dos conglomerados (como Ingrooves e The Orchard), ou serem independentes. Você deve pesquisar, estudar seu momento de carreira e o que cada uma pode te retornar profissionalmente. Hoje o suporte das agregadoras vai ser bastante automatizado, tecnológico, enquanto o selo/produtor fonográfico/ gravadora vai te dar um atendimento mais humano e com gestão de carreira.

Além disso, as principais plataformas de áudio no Brasil hoje (Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon, Tidal e Youtube) têm muito mais usuários no modelo freemium que premium. Isso significa que o fonograma precisa de um consumo muito mais vasto para gerar monetização: o marketing digital deve ser estrategicamente voltado para o amplo alcance de audiência para gerar, no mínimo, 60 mil ouvintes mensais, por exemplo, e quantificar seu produto.

Se você é um artista DIY, você também precisa estudar o marketing pensando nesse consumo em larga escala. Se você tem uma gravadora ou selo, esses parceiros são responsáveis por te ajudar nesse processo. Você deve se entender como artista e seu momento de carreira para decidir como vai trabalhar.

Antes de entrar no estúdio, o primeiro passo para o músico acompanhante também é se afiliar a uma sociedade, ser identificável mundialmente. As sociedades vão arrecadar todos os direitos de execução pública, do ao vivo ao digital, e para ser identificado e receber pela arrecadação dos seus produtos você é, de certa forma, obrigado a se filiar a uma sociedade.

Essa identificação permeia todo o histórico global do intérprete e músicos/autor/produtor fonográfico no mercado, segundo a lei brasileira, portanto mantenha seu cadastro atualizado.

Outro detalhe que pede atenção é o cadastro do ISRC, o “código de barras” do fonograma. O mercado brasileiro, quando entrou no processo digital, começou com força total e sem muito critério em relação ao ISRC, isso trouxe uma prática de adotar o ISRC liberado automaticamente pelas agregadoras, chamado US. No mercado nacional chamamos ele de fake, de gringo, porque não é um código válido para a legislação brasileira e muitos dos direitos gerados pelo seu produto não vão chegar até seus titulares, então busque sempre a sua sociedade para fazer o ISRC antes de enviar a música para a distribuição digital, não utilize o liberado automaticamente.

E a burocracia?

Existem contratos que englobam tudo – obra, fonograma, merchandising, shows… ou que envolvem apenas prestações de serviços específicos, como a distribuição de um fonograma apenas, e devemos sempre saber qual produto está sendo negociado, qual é o dever das partes e por quanto tempo. Para isso, é sempre bom poder contar com um advisor ou advogado. O advogado autoral pode rever contratos, fazer a gestão autoral dos direitos, fiscalizar e analizar seus recebimentos etc.

Gravadora/Selo/Produtor Fonográfico/Editora geralmente trabalham com contratos de 5 a 10 anos, que dividem direitos e definem o papel da instituição dentro da gestão da carreira do fonograma. O contrato com editora, por exemplo, pode ser de cessão temporária ou vitalícia, enquanto a editora deve atuar para explorar a obra. Já se você assina com uma gravadora ou selo, você deve negociar o investimento em marketing, em rádio etc. – o jurídico vai proteger, reconhecer e garantir/acompanhar/fiscalizar todos os seus direitos. Independente de ter ou não um advogado, sempre leia os contratos que for assinar.

E tem mais?

No Brasil, a figura do empresário ainda é muito forte. Ele é o sócio principal do intérprete, cuida dos contratos com a gravadora se for o caso, faz a coisa acontecer, trabalha a divulgação para que o intérprete faça as melhores apresentações possíveis em shows, lives etc., o intérprete responde para ele e deve ser uma relação saudável. A grande maioria dos intérpretes hoje é DIY, então assinar ou não com um empresário é uma decisão que depende do seu momento de carreira e do quanto você conhece o mercado da música.

Outro ponto muito importante para divulgação no Brasil é a rádio, pois nem todo lugar do país tem acesso a internet de qualidade. Elas são de grande ajuda para a divulgação, mas podem não ser para remuneração, pois algumas rádios são inadimplentes, não pagam os direitos devidos ao ECAD.

A agregadora, a distribuidora, a integradora só distribui o fonograma online, não em rádios físicas – isso é papel do empresário/selo/gravadora/produtor fonográfico. A agregadora, porém, manda o fonograma para as redes sociais e isso é muito importante para a divulgação da música, porque são as plataformas de pesquisa e grande engajamento com o público. A gravadora multinacional vai fazer tudo isso, o selo vai ter uma filiação com uma agregadora para fazer isso, cada um no seu papel.

E se eu não tiver nada disso?

São mais de 70 mil lançamentos diários no Spotify global. Ser notado nessa cauda infinita (long tail) é difícil, não funciona em lançamentos de um dia pra outro, muito comuns no Brasil. A resposta da Cris para intérpretes que optam por construir uma carreira na música ao estilo DIY é: CRIATIVIDADE, PLANEJAMENTO, TEMPO E MENOS ANSIEDADE. Você deve ter um bom planejamento (marketing de estratégia). Mais que lançar sua música, trabalhar o pré-venda e o pós-venda, trabalhar a sua audiência, buscar parcerias com artistas que façam sentido no seu momento para que os dois possam alcançar novas pessoas.

Muitas vezes é mais sobre entender seu público, falar com ele e fazer campanhas criativas envolvendo o ao vivo que investir dinheiro. Por exemplo, você pode analisar seu streaming para escolher cidades onde fazer shows ao vivo, o que seria o trabalho de um Booker. O empresário ou o próprio intérprete podem ser o booker e vender shows, mas conhecer pessoas que façam esse trabalho exclusivamente e ter acesso a eles é bem difícil.

O mercado pós-pandemia intensificou a retroalimentação entre digital e ao vivo, os dois devem se conectar. Você pode aumentar a audiência no online com conteúdos digitais que levem pessoas para o ao vivo, onde você exibe um QR code para que quem está no ao vivo te siga no digital, por exemplo. Os dois precisam se completar e se alimentar para que os conteúdos digital e físico sejam consumidos.

A Assessoria de Imprensa (PR – public relations) também é um excelente investimento que pode ser feito pelo próprio músico, ou já vir no contrato com gravadoras e selos. O PR consegue divulgação em blogs, TV, lives, lives patrocinadas, branding etc. te ajudando a aumentar seu alcance, reconhecimento público e relevância dentro da indústria da música. Sem dinheiro é possível fazer isso através de uma campanha criativa de pré-save, movimentando sua fã base, usando recursos tecnológicos ou humanos (PR, empresário etc.).

Arte não é chart

Já vimos que o amplo uso do freemium torna preciso muitos plays para render algum valor relevante, mas Arte não é Chart (gráfico). Se basear nos grandes números do que é mais consumido não é um termômetro para que você consiga fazer seu trabalho chegar aonde ele deve chegar. Você precisa entender a sua fan-base, seu público alvo, porque 10 mil plays não são 10 mil ouvintes mensais fiéis que vão ao seu show, compram seus produtos etc.

Você deve olhar para o SEU trabalho, não se basear nos outros – olhar o que você produziu, o que você espera, o que você fez, o que investiu e o que gerou, contrapor isso com a sua realidade, para criar as ferramentas devidas para o alcance de sucesso desejado para você no seu momento. A música brasileira vai da América à Ásia muito bem, você deve estudar bem seus parceiros para explorar o que faz sentido para você.

As playlist editoriais, por exemplo, são definidas por pessoas que recebem as músicas da long tail e fazem uma curadoria todos os dias. Cuidado com promessas, nenhum parceiro pode te garantir a entrada em playlists, você já tem ferramentas nos próprios apps de música para fazer o seu pitch (apresentação de um produto para um cliente em potencial). O processo é o mesmo para intérpretes com 10 e 10 mil ouvintes mensais.

Playlists de terceiros também são uma opção, mas nunca invista em fake stream porque as plataformas identificam esse tipo de bots, bloqueiam a geração de receita, derrubam as músicas que você investiu tanto para produzir e torna muito difícil para você subir essas músicas de volta para as plataformas. Não é fácil chegar a um top 10 com o alcance orgânico, mas é ele que funciona e que você deve trabalhar. Cuidado com a análise dos charts e procure o crescimento sustentável. Uma música que “charteia” rápido, cai rápido. Procure o desempenho real, o atemporal, isso é mil vezes melhor que entrar e sair do ranking uma vez e ninguém se lembrar do seu conteúdo.

Mais alternativas

A lei brasileira permite o licenciado de obras e fonogramas para diversos tipos de uso (mais uma vez veja a importância de um advogado para te apoiar). Publicidade, novela e séries, por exemplo, trazem um novo alcance e geram uma remuneração melhor que o streaming. O sócio (editora, selo, gravadora, empresário) deve te ajudar nesse alcance, mas todo e qualquer uso tem que ser autorizado pelos autores.

Também o mercado ao vivo traz um universo de funções e possibilidades – temos booker, produtor executivo (que arca com orçamentos, investimentos, pagamentos etc.), técnicos diversos (de luz, som, equipamento, estruturas, manutenção e limpeza). Tanto no digital quanto no ao vivo, ter parceiros para vender seu produto facilita muito. A autogestão (DIY) pode matar um pouco a criatividade do autor, os parceiros que lidam com a burocracia não só dividem os ganhos, mas abrem portas e ajudam a manter o nível de stress baixo.

Na dúvida, lembre-se:

  1. Filie-se a uma sociedade e identifique as funções que você pode vir a cobrir (pode ser como autor, intérprete, músico acompanhante e produtor fonográfico ao mesmo tempo);
  2. Garanta que sua identificação esteja sempre correta para evitar homônimos e créditos retidos;
  3. Busque uma editora se quiser ajuda com a gestão da obra;
  4. Busque um selo/gravadora se quiser ajuda com a gestão do fonograma (lembre-se do registro de ISRC nacional)

Para finalizar, uma reflexão: A remuneração no universo digital ainda está se desenvolvendo e está hoje em: 30% para plataformas, 58% para produtor fonográfico/selo/gravadora e 12% para obra, sendo 3% do streaming (por execução pública) e 9% de direitos autorais devidos a reprodução dos fonogramas. Curiosamente, o compositor é a figura que prevalece sempre por lei, mas é o menos remunerado na cadeia, e isso vem sido discutido mundialmente.

LINKS PARA REFERÊNCIA E ESTUDOS: (encontre esse pessoal no instagram também)
ubc.org.br
abramus.org.br
ecad.org.br
portalpopline.com.br/mundo-da-musica
biolinky.co/mctmus

Cris Falcão é formada em economia pela Universidade Mackenzie com MBA em marketing pela ESPM. Em 2004 incorporou-se à Editora Fermata do Brasil e vivenciou a transformação do mercado físico para o digital, tornando-se uma especialista em Direitos Autorais. Em 2020 assumiu presidência da Ingrooves Brazil e lidera o projeto de expansão nesse território. Ela também disse que é acessível pelo instagram, fale com ela 😉

ASA: como foi o primeiro contato ao vivo entre participantes e parceiros

Logo do programa ASA em fundo preto com pequenos traços brancos

O encontro aconteceu pela plataforma Zoom com tradução simultânea e teve mediação de Claudia Assef, co-fundadora do Woman’s Music Event (WME).

Participaram do primeiro encontro do ASA (clique aqui para conhecer), ao vivo ou se apresentando por vídeo pré-gravado, um ou mais representantes de cada instituição parceira e da equipe de monitoramento, avaliação e aprendizagem do programa.

Cristina Becker, Head of Arts (gerente sênior) do British Council no Brasil, e Andreea Magdalina, founder (fundadora) da Shesaid.so e co-fundadora ASA, se emocionaram ao falar do programa. Andreea convidou as participantes a entrar na comunidade internacional shesaid.so para artistas, executivas ou com outra função no meio musical, com o objetivo de inspirar e impactar carreiras.

A brasileira Monique Dardenne, co-fundadora do WME, explicou que a plataforma foi responsável pela curadoria, consultoria e hospedagem online desta edição do ASA, após 3 meses de trabalho com as instituições parceiras, e compartilhou como será o sexto ano de eventos da WME, que realiza sua própria conferência em junho e premiação em dezembro.

“Culturalmente, a presença feminina estimula a presença feminina nos lugares (…) e essa rede transborda além do ASA, porque as mulheres que estão aqui conhecem mulheres que não estão, e elas vão se conectando e as coisas vão acontecendo”.

Dani Pastore, professora e engenheira de som, mentora ASA

Victor D’Almeida (gerente de cultura do Oi Futuro) e Luciana Adão (coordenadora de cultura do Oi Futuro) deram as boas-vindas por vídeo pré-gravado, Victor ressaltou a ampliação do alcance do programa (de 250 para 400 participantes em 2022) agora que o formato está mais maduro, em sua terceira edição.

Representando a equipe de monitoramento, avaliação e aprendizagem, Felícia Canella e Tião Guerra explicam como irão acompanhar a inserção das participantes no mercado de trabalho de música, áudio e som, a formação de uma comunidade e a qualificação do programa ASA.

Vitória foi uma das 50 selecionadas de cada região brasileira para participar do grupo de monitoramento, recebendo um formulário a ser preenchido com informações como histórico de projetos nos últimos 48 meses, rede de contatos e expectativas de impacto local após a capacitação do ASA. Ainda será formado um grupo focal por região, com 15 mulheres cada, orientado por Felícia, para acompanhar como as mulheres estão percebendo o programa e o que poderia ser melhorado.

Ao final do monitoramento, uma última conversa será feita com algumas mulheres para escrever a storytelling, ou seja, um relato de como aquela mulher evoluiu no mercado do som durante o programa, um processo de vida, como está participando, ocupando espaço e fazendo um caminho de liderança na sua região.

Emily Kyriakides, Business Development & Partnerships (diretora executiva) da Lighthouse, ainda comentou a importância do ASA para a expectativa profissional das mulheres, principalmente após 2020 e 2021. Rafael Ferraz, gerente de projetos do British Council, também explicou a estrutura e os conteúdos do programa a fundo e Luana Ribeiro, co-fundadora e diretora de conteúdo da Casa Lab Digital, apresentou a comunidade ASA no telegram.

Claudia então encerrou a reunião, agradecendo a participação de todos, comentando emails recebidos com dúvidas e lembrando o próximo encontro ao vivo, uma aula sobre direito autoral com Guta Braga (coordenadora do curso “música, copywrite e tecnologia” junto ao Instituto Gênesis e à PUC/RJ).

O show do R.

Tenho grande admiração por um compositor e colega de faculdade chamado R. (que gostou do artigo e autorizou a divulgação do perfil dele, clique aqui para acessar)

Um dia, conversando nos corredores da Souza Lima, ele me disse que tinha recusado um convite de fazer um show sobre seu novo EP, pois gostaria de pensar melhor nos detalhes antes de apresentar seu trabalho, ao vivo, para o público.

Embora eu entenda o zelo pelo trabalho autoral, como público fiquei bem decepcionada. Meu colega não deu uma previsão de quando esse show aconteceria, nem o que faltava para finalizar esses detalhes.

Como compositores, podemos esquecer que o artista tira suas criações de dentro pra fora e é capaz de desfrutar de seu trabalho a qualquer momento, mas o público não.

Eu, como público, só vou ouvir as músicas do R. se elas estiverem disponíveis nos aplicativos de música (e ele me lembrar disso) ou se ele fizer um show, virtual ou ao vivo.

Tudo bem querer que sua apresentação tenha qualidade, mas será que você está adiando por medo? Se você não tiver um plano, com números e prazos, será que esse show vai acontecer? (Sugiro a leitura do livro “O caminho do artista”, de Julia Cameron)

Se você não fizer um show hoje, com o que você tem e planejou hoje, será que vai chegar ao show detalhado que você gostaria de fazer?

E por que não fazer os dois? Por que não oferecer mais oportunidades para o público te ouvir, usar a experiência de apresentações menores para construir (e até financiar) uma apresentação completa, que encerre seu trabalho com chave de ouro e te prepare para as próximas gravações?

Aí eu não posso obrigar o R. a fazer o show dele (que eu continuo esperando), mas eu posso refletir: o quanto eu tenho escondido as minhas músicas?

E você, o que acha sobre isso? Me conta por mensagem no meu Instagram.

Vitória.

ASA: programa de capacitação brasileiro-britânico começa hoje

Às 19h (horário de Brasília) tem início o primeiro encontro entre as participantes do programa de capacitação ASA – Arte Sônica Amplificada, desenvolvido pelo Instituto Oi Futuro e pelo British Council, em parceria com as instituições Lighthouse, Shesaid.so e Woman’s Music Event (WME).

Foram 400 brasileiras selecionadas mediante inscrição em vídeo, entre elas Vitória (que se inscreveu promovendo as edições online do SONORA Festival Bauru), Ana Andrade (compositora e aluna da UFBA, Ana e Vitória fizeram uma live juntas através do amigo em comum Paulo Vitor), Thaís Floresto (compositora de Ribeirão Preto cuja estreia autoral aconteceu no SONORA Bauru 2018), Izabela Lima e Mo Maiê (produtoras SONORA em cidades de Rondônia e Minas Gerais).

“A intenção do [ASA] é impulsionar as mulheres individual e coletivamente, para que elas possam desenvolver suas próprias potencialidades e também transformar a vida de outras mulheres à sua volta. Dessa forma, esperamos impactar a sociedade, fomentando a equidade, a diversidade e a inclusão”

Sara Crosman, Presidente do Instituto Oi Futuro.

A relevância do programa para a cidade de Bauru/SP, assim como prevê o depoimento de Crosman, está no conhecimento adquirido e compartilhado através das participantes locais, que trazem nova bagagem para suas atividades particulares e ações públicas na cidade.

Além de qualificar e inspirar o desenvolvimento de projetos e negócios inovadores no campo do som e da música, o ASA também promete oportunidades de atuação em grandes eventos e a conexão entre profissionais no Brasil e no Reino Unido, criando uma rede internacional de suporte, criação colaborativa e desenvolvimento de carreiras.

As atividades vão acontecer em três frentes, durante 10 semanas:

  • Capacitação:  sessões online (pré-gravadas e ao vivo) para desenvolvimento de habilidades técnicas, criativas e pessoais;
  • Oportunidades de exibição e ativação: mostra do trabalho das participantes em festivais, conferências e canais de mídia parceiros do programa ASA;
  • Construção de comunidade criativa: networking feminina internacional.

A primeira pauta é: boas-vindas às participantes, apresentação das instituições parceiras, suas representantes no programa e informações gerais. Ao longo das 10 semanas ainda serão abordas novas maneiras de monetizar e gerar renda, engajar com uma base de fãs e criar comunidades, gerenciar e promover uma carreira, digitalizar eventos e as últimas tendências em redes sociais, plataformas de áudio e algoritmos.